{"id":1089,"date":"2024-09-03T14:54:18","date_gmt":"2024-09-03T14:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/?p=1089"},"modified":"2024-09-09T15:19:44","modified_gmt":"2024-09-09T15:19:44","slug":"estimulo-a-leitura-versus-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/?p=1089","title":{"rendered":"O INGREDIENTE DO CONHECIMENTO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EST\u00cdMULO \u00c0 LEITURA VERSUS LIVRO<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">I. A Leitura Infantil e o Desenvolvimento<br>da Crian\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00abQuem l\u00ea um livro nunca ser\u00e1 a mesma pessoa\u00bb<\/em>. O enunciado acima \u00e9 sintom\u00e1tico do valor da leitura para um indiv\u00edduo e, concomitantemente, para a sociedade que o acolhe. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"270\" height=\"336\" src=\"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Captura-de-ecra-2024-09-03-Mateus_Biin-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1095\" srcset=\"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Captura-de-ecra-2024-09-03-Mateus_Biin-6.png 270w, https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Captura-de-ecra-2024-09-03-Mateus_Biin-6-241x300.png 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conseguinte, o h\u00e1bito de leitura deve ser um imperativo nas institui\u00e7\u00f5es, por isso a Imprensa Nacional-E.P. criou <em>o BIIN (Boletim Informativo da Imprensa Nacional)<\/em> para, entre outros esteios corporativos, incentivar a apet\u00eancia aos livros pelos colaboradores. <em>Ipso <\/em>facto, o trimestre Abril-Junho, correspondente ao <em>BIIN n.\u00ba 6<\/em>, \u00e9 rico em efem\u00e9rides respeitantes \u00e0 literatura, ingrediente vital para o desenvolvimento da Organiza\u00e7\u00e3o, a gr\u00e1fica com mais de 100 anos de hist\u00f3ria de pioneirismo, sobretudo do jornalismo e da literatura, no qual publicou a primeira obra <em>Espontaneidades da Minha Alma: \u00c0s Senhoras Africanas (1849)<\/em>, de Jos\u00e9 da Silva Maia Ferreira, e se posiciona com ac\u00e7\u00f5es e medidas program\u00e1ticas firmes na reedifica\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o da editora. Por conseguinte, o 2 de Abril marca o Dia Internacional da Literatura Infantil, ao passo que o 23 de Abril faz alus\u00e3o ao Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, efem\u00e9rides indissociavelmente ligadas, porquanto o ponto-focal \u00e9 o livro, produto que o PCA Lando Teta e sua equipa elegeram como premissa de resgate ao longo do seu mandato de 5+5 anos, ou seja, o primeiro de<em> 2017 a 2022<\/em> e o segundo, iniciado em <em>Julho de 2023<\/em> com o t\u00e9rmino aprazado para <em>Julho de 2028<\/em>. Para esse desiderato investiu fortemente em equipamentos e no capital humano. O 2 de Abril faz alus\u00e3o ao Dia Internacional do Livro Infantil, data escolhida pelo Conselho Internacional sobre Literatura para Jovens \u2014 IBBY (sigla em ingl\u00eas para <em>International Board on Books for Young People<\/em>), em 1967, em homenagem a Hans Christian Andersen, escritor dinamarqu\u00eas nascido nessa data no long\u00ednquo ano de 1805, considerado um dos principais nomes da literatura mundial, autor de obras consagradas, salientando \u00abA pequena sereia\u00bb, \u00abA bonequinha preta\u00bb, \u00abA vida \u00edntima de Laura\u00bb, \u00abAs tran\u00e7as de Bintou\u00bb e a \u00abA roupa nova do imperador\u00bb. Nesse dia, \u00e9 celebrado tudo aquilo que envolve esse universo liter\u00e1rio infantil: autores, leitores, obras, contos de fadas e f\u00e1bulas. Por seu turno, em 1995, na 28.\u00aa Confer\u00eancia Geral da UNESCO \u2014 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura, foi proclamado o 23 de Abril como o dia consagrado ao livro e aos direitos do autor a fim de encorajar a leitura e promover a protec\u00e7\u00e3o dos direitos de autor. O est\u00edmulo \u00e0 leitura \u00e9 o principal ingrediente para o gosto pela literatura, tanto \u00e9 que o pai da literatura infantil foi estimulado pelo seu pai, desde a inf\u00e2ncia, a ter contacto com obras liter\u00e1rias, assim como ter amor pelos livros que foram determinantes nas suas escolhas posteriores. Assim sendo, ao perder o progenitor, Andersen foi trabalhar em f\u00e1bricas onde aproveitava para contar hist\u00f3rias e cantar para os colegas, tornando-se o \u00edcone de contos de fadas amplamente referenciados, nomeadamente A rainha da neve<em>, A pequena sereia, Os sapatos vermelhos, O soldadinho de chumbo, O patinho feio, A pequena vendedora de f\u00f3sforos, A princesa e a ervilha e A Polegarzinha<\/em>, que preencheram as prateleiras dos quartos de in\u00fameras crian\u00e7as nesse mundo afora. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">II. Literatura Infantil e os Contextos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura infantil \u00e9 um caminho que leva a crian\u00e7a a desenvolver a imagina\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00f5es e sentimentos de forma prazerosa e significativa. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o que peritos da Universidade Brasileira de Vale do Acara\u00fa chegaram atrav\u00e9s de um estudo abrangente sobre a arte de escrever em que salta \u00e0 vista dois par\u00e2metros fundamentais, nomeadamente o contacto da crian\u00e7a desde cedo com o livro e as estrat\u00e9gias para desenvolver o h\u00e1bito de leitura. H\u00e1 muito que se diga sobre a literatura infantil no que tange \u00e0s variantes, os contextos e os meandros dessa arte em que o conto de hist\u00f3rias \u00e9 o sustent\u00e1culo de relev\u00e2ncia incontest\u00e1vel. De acordo com a obra \u00abA Import\u00e2ncia da Leitura Infantil para o Desenvolvimento da Crian\u00e7a\u00bb, os primeiros livros direccionados ao p\u00fablico infantil surgiram no s\u00e9culo XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam as suas obras, enfocando principalmente os contos de fadas. Seguidamente, a literatura infantil foi galgando com passos firmes e relevantes no universo liter\u00e1rio. Assim sendo, muitos autores foram surgindo, real\u00e7ando Hans Christian Andersen (o Pai da Literatura Infantil Mundial), os irm\u00e3os Grimm e Monteiro Lobato (maior refer\u00eancia da Literatura Infantil Brasileira), imortalizados pela grandiosidade das suas obras. Nesse per\u00edodo, a Literatura Infantil funcionava como mercadoria, sobretudo para a sociedade aristocr\u00e1tica, mas anos depois transformou-se num produto de valor inquestion\u00e1vel, merc\u00ea da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria incentivada pelo processo de industrializa\u00e7\u00e3o cujo escape foi o crescimento e a moderniza\u00e7\u00e3o das sociedades. Por conseguinte, a sociedade cresceu e modernizou-se por meio da industrializa\u00e7\u00e3o, expandindo, assim, a produ\u00e7\u00e3o de livros. A estreita rela\u00e7\u00e3o Escola e Literatura foi um marco importante a destacar nesse per\u00edodo \u00abpois para adquirir livros era preciso que as crian\u00e7as dominassem a l\u00edngua escrita e cabia a escola desenvolver esta capacidade\u00bb. De acordo com Lajolo &amp; Zilbermann, \u00aba escola passa a habilitar as crian\u00e7as para o consumo das obras impressas, servindo como intermedi\u00e1ria entre a crian\u00e7a e a sociedade de consumo\u00bb. Outrossim, \u00abo livro tinha a finalidade \u00fanica de educar, apresentar modelos, moldar a crian\u00e7a de acordo com as expectativas dos adultos\u00bb, esquecendo-se de algo primordial, essencial para a crian\u00e7a que consistia em tornar a leitura como fonte de prazer, retratando a aventura pela aventura. Era, por conseguinte, um modelo versado na vis\u00e3o de mundo manique\u00edsta, cal\u00e7ada no interesse do sistema. A partir dos anos 70, a literatura infantil passa por uma revaloriza\u00e7\u00e3o, contribu\u00edda em grande parte pelas obras de Monteiro Lobato, no que se refere ao Brasil e com grande influ\u00eancia na lusofonia. Ao contr\u00e1rio do sistema anterior, esse privilegiava todos os caminhos da actividade humana, valorizando a aventura, o cotidiano, a fam\u00edlia, a escola, o desporto, as brincadeiras, as minorias raciais, penetrando at\u00e9 no campo da pol\u00edtica e suas implica\u00e7\u00f5es. Hoje a dimens\u00e3o de literatura infantil \u00e9 muito mais ampla e importante. Ela proporciona \u00e0 crian\u00e7a um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscut\u00edveis. Segundo Abramovich (1997), quando as crian\u00e7as ouvem hist\u00f3rias, passam a visualizar, de forma mais clara, sentimentos que t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. As hist\u00f3rias trabalham problemas existenciais t\u00edpicos da inf\u00e2ncia, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, al\u00e9m de ensinarem infinitos assuntos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">III. A Literatura Infantil Angolana<br>3.1. A Import\u00e2ncia do <em>Griot <\/em>em Angola<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Angola, tal como em \u00c1frica, a import\u00e2ncia da oralidade \u00e9 um marco de relevo que n\u00e3o deve ser descurado, de acordo com Gabriela Antunes, pedagoga e escritora infantil angolana, Coordenadora do Curso de Jornalismo do IMEL e professora das disciplinas de Arte e Literatura, Portugu\u00eas e Ingl\u00eas, de 1984 a 1998. A figura do Griot foi enaltecida pela pedagoga ao aludir, em diversas ocasi\u00f5es, a import\u00e2ncia de ouvir hist\u00f3rias que, al\u00e9m de proporcionar um conv\u00edvio familiar saud\u00e1vel aos petizes, infundia na transmiss\u00e3o da oralidade, na qual um mais velho (pai, m\u00e3e, tio ou outro), mas sobretudo os av\u00f3s, contavam-lhes as mais variadas hist\u00f3rias, com maior incid\u00eancia sobre a vida dessas crian\u00e7as. Ali\u00e1s, a problem\u00e1tica da oralidade, defendida por Gabriela Antunes, foi referenciada pela investigadora brasileira Terezinha Taborda Moreira, na sua obra \u00abLiteratura Infantil Angolana e Constru\u00e7\u00e3o da Identidade\u00bb, quando enfatiza a respeito da tem\u00e1tica da autora de \u00abKibala, o Rei Le\u00e3o\u00bb. Segundo ela, \u00abPercebe-se que a oralidade constitui uma caracter\u00edstica marcante nas hist\u00f3rias de Gabriela Antunes, que s\u00e3o contadas numa linguagem fluente, perpassada por um tom humor\u00edstico. Este, ao mesmo tempo que suaviza sua carga dram\u00e1tica, apresenta o distanciamento cr\u00edtico da autora em rela\u00e7\u00e3o aos temas que aborda, como tamb\u00e9m \u00e0 forma pela qual os aborda\u00bb. E ela prossegue o discurso acerca da ilustre contadora de hist\u00f3rias, \u00abrecusando os h\u00e1bitos l\u00f3gico-anal\u00edticos da escrita, Gabriela Antunes comunica-se atrav\u00e9s de uma linguagem actuante e viva que, dramatizada na escritura, mobiliza e movimenta um poder de realiza\u00e7\u00e3o que afecta todas as dimens\u00f5es que comp\u00f5em a pr\u00e1xis humana em seu devir existencial\u00bb. A crian\u00e7a gosta muito de ouvir como foi que ela nasceu, ou factos que aconteceram com ela ou com pessoas da sua fam\u00edlia. \u00c0 medida que cresce, j\u00e1 \u00e9 capaz de escolher a hist\u00f3ria que quer ouvir, ou a parte da hist\u00f3ria que mais lhe agrada. \u00c9 nesta fase que as hist\u00f3rias v\u00e3o tornando-se aos poucos mais extensas, mais detalhadas, passando a interagir com as hist\u00f3rias, acrescentando detalhes, personagens ou lembra de factos que passaram despercebidos pelo contador, essenciais para que a crian\u00e7a estabele\u00e7a a sua identidade e compreenda melhor as rela\u00e7\u00f5es familiares. Outro facto relevante \u00e9 o v\u00ednculo afectivo que se estabelece entre o contador das hist\u00f3rias e a crian\u00e7a. No que tange \u00e0s caracter\u00edsticas dos livros para crian\u00e7as, conv\u00e9m aferir que os livros adequados nesta fase devem ter uma linguagem simples com come\u00e7o, meio e fim. As imagens devem predominar sobre o texto. As personagens podem ser humanas, bichos, rob\u00f4s, objectos, especificando sempre os tra\u00e7os de comportamento, como bom e mau, forte e fraco, feio e bonito. Hist\u00f3rias engra\u00e7adas, ou que o bem ven\u00e7a o mal atraem muito o leitor nesta fase.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3.2. Um Percurso com Obra Reconhecida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Manuel Rui, com a obra <em>A Caixa (1977)<\/em>, \u00e9 considerado o precursor da literatura infantil angolana devido ao facto de a sua citada obra constituir a primeira infantil no p\u00f3s-independ\u00eancia, Gabriela Antunes \u00e9 a promotora da ascens\u00e3o liter\u00e1ria infantil, pois dedicou-se, ap\u00f3s a independ\u00eancia de Angola, \u00e0 arte infantil por considerar que era uma necessidade da na\u00e7\u00e3o nascente. Para desenvolver esse g\u00e9nero da literatura, liderou uma equipa de ex\u00edmios escritores onde se pontificam Dario de Melo, Octaviano Correia, Rosalina Pombal, Maria Celestina Fernandes, Cremilda de Lima e Maria Eug\u00e9nia Neto, tendo sido o trampolim de promo\u00e7\u00e3o o <em>Suplemento Infantil do Jornal de Angola<\/em>. Esses sete escritores foram, durante esse per\u00edodo \u00e1ureo, os principais dinamizadores da literatura infanto-juvenil angolana, contando, pelo menos, uma obra de cada um deles na primeira colec\u00e7\u00e3o infantil, designada \u00ab<em>11 Cl\u00e1ssicos Infantis\u00bb<\/em>. S\u00e3o elas: <em>F\u00e1bulas de Sanji<\/em>, de Ant\u00f3nio Jacinto, \u2026 <em>E nas Florestas os Bichos Falaram<\/em>, de Maria Eug\u00e9nia Neto, Kibala, o <em>Rei Le\u00e3o (1983)<\/em>, de Gabriela Antunes, <em>As Sete Vidas de um Gato<\/em>, de Dario de Melo, <em>A Velha Sanga<\/em>, de Cremilda de Lima, <em>O C\u00edrculo de Giz de Bombo<\/em>, de Henrique Guerra, <em>A \u00c1rvore dos Gingongos<\/em>, de Maria Celestina Fernandes, <em>O Pa\u00eds das Mil Cores<\/em>, de Octaviano Correia, Lutchila, de Rosalina Pombal, <em>Duas Hist\u00f3rias<\/em>, de Zaida D\u00e1skalos, e <em>A Viagem das Folhas de Caderno<\/em>, de Maria Jo\u00e3o Chipalavela.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"889\" height=\"755\" src=\"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/BIIN-6-Digital_3.bmp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1096\" style=\"width:501px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse percurso glorioso, interrompido em Abril de 2004 com a sua morte aos 66 anos, a tamb\u00e9m bibliotec\u00e1ria Gabriela Antunes publicou um vasto acervo bibliogr\u00e1fico onde se destacam: <em>A \u00c1guia, a Rola, as Galinhas e os 50 Lweis<\/em> (1982), <em>A Abelha e o P\u00e1ssaro <\/em>(1982), L<em>uhuna, o Menino que n\u00e3o conhecia Flor-Viva<\/em> (1983), <em>O Castigo do Drag\u00e3o Glut\u00e3o<\/em> (1983), <em>O Jo\u00e3o e o C\u00e3o<\/em> (1988), <em>Est\u00f3rias Velhas Roupa Nova<\/em> (1988) e <em>Cr\u00f3nicas Apressadas<\/em> I (2003). N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a literatura infantil angolana teve o impulso nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, nas quais a ent\u00e3o Secretaria do Estado da Cultura (SECULT), atrav\u00e9s do extinto INALD (Instituto Nacional do Livro e do Disco), teve papel preponderante na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas relevantes e consent\u00e2neas de incentivo ao livro, tendo como ponto mais saliente \u00abO Jardim do Livro Infantil\u00bb, uma feira anual que juntava crian\u00e7as de todas as escolas de Luanda, em representa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, no \u00abParque ex-Her\u00f3is de Chaves\u00bb. Por\u00e9m, o apogeu surgiu, na d\u00e9cada de 2000, com a paz, na qual uma nova literatura infanto-juvenil atingiu o cimo da edi\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. Nesse prisma, um boom de publica\u00e7\u00f5es fez-se sentir, no qual enumeramos (exceptuando os 11 cl\u00e1ssicos j\u00e1 referidos) os seguintes: <em>A Missanga e o Sapupo, O Tambarino Dourado e A Kianda e o Branquinho do Fuxi, <\/em>de Cremilda de Lima;<em> Est\u00f3rias do Le\u00e3o Velho e Quitubo, <\/em>de Dario de Melo;<em> Fizeste Fogo \u00e0 Viuvinha e A Amizade do Le\u00e3o n\u00e3o se faz com Cora\u00e7\u00e3o<\/em>, de Octaviano Correia; <em>Kambas para Sempre, Uni\u00e3o Arco-\u00cdris e Os Padrinhos da Nazarena<\/em>, de Maria Celestina Fernandes. Nesse quadrante de produtividade, h\u00e1 a salientar com a relev\u00e2ncia merecida a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de autores angolanos (<em>O cubo amarelo<\/em>, de Gabriela Antunes;<em> Sunguilando: contos tradicionais angolanos,<\/em> de \u00d3scar Ribas; <em>As Aventuras de Ngunga<\/em> \u2014 considerada a obra-prima angolana no per\u00edodo colonial, de Pepetela; <em>A Montanha do Sol<\/em>, de Maria Eug\u00e9nia Neto; <em>O Menino de Olhos<\/em> de Bimba, de Jorge Macedo; <em>Ynari<\/em>:<em> a menina das cinco tran\u00e7as<\/em>, de Ondjaki; <em>Quitubo<\/em>, de Dario de Melo, e <em>A \u00c1rvore dos Gingongos<\/em>, de Maria Celestina Fernandes) que, com as obras:<em> O Gato e o Escuro e O Beijo<\/em> da Palavrinha, de Mia Couto, fazem parte do leque de 10 artigos produzidos por acad\u00e9micos brasileiros constantes no livro \u00abEnsaios sobre Literatura Infantil de Angola e Mo\u00e7ambique: entre f\u00e1bulas e alegorias (2007)\u00bb, organizado por Carmen L\u00facia Tind\u00f3 Secco, professora e pesquisadora das literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa. A partir do ano 2000, sobretudo ap\u00f3s o calar das armas no Pa\u00eds verificado com o Acordo de Paz do Luena, artistas consagrados, versados em prosa e poesia para adultos, come\u00e7aram a interessar-se pelo mundo imaginativo e criativo das crian\u00e7as. S\u00e3o os casos de Jos\u00e9 Eduardo Agualusa, Ondjaki (pseud\u00f3nimo de Ndalu de Almeida) e Zetho Cunha Gon\u00e7alves, tr\u00eas escritores angolanos que produziram livros para a inf\u00e2ncia no mercado editorial brasileiro ao longo da d\u00e9cada 2000 e cujas obras despertam o interesse constante pelo seu estudo por parte de pesquisadores e universidades brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conseguinte, seis t\u00edtulos desses escritores, nomeadamente <em>O Filho do Vento<\/em> (2006) e <em>Nweti e o Mar<\/em>: <em>exerc\u00edcios para sonhar sereias<\/em> (2012), de Jos\u00e9 Eduardo Agualusa; <em>Ynari<\/em> \u2013 a menina das cinco tran\u00e7as (2010) e <em>O Le\u00e3o e o Coelho Saltit\u00e3o<\/em> (2009), de Ondjaki; e <em>Debaixo do Arco-\u00cdris n\u00e3o Passa Ningu\u00e9m<\/em> (2006) e <em>A Vassoura do Ar Encantado<\/em> (2012), de Zetho Cunha Gon\u00e7alves, foram reflectidos na disserta\u00e7\u00e3o sobre a inser\u00e7\u00e3o das literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa para a inf\u00e2ncia da Universidade Federal de Santa Catarina com o fim de destacar nestes textos as caracter\u00edsticas comuns da estrutura de cada um deles (tema, enredo, personagens, aspectos lingu\u00edsticos etc.), bem como o interesse desses escritores pela produ\u00e7\u00e3o de uma literatura de recep\u00e7\u00e3o infantil e juvenil. Vale lembrar que Agualusa tem mais dois t\u00edtulos para a inf\u00e2ncia: <em>Estranh\u00f5es &amp; Bizarrocos: est\u00f3rias para adormecer anjos<\/em> (2000) \u2014 livro de estreia para a inf\u00e2ncia \u2014 e <em>A Girafa que Comia Estrelas<\/em> (2005). O mesmo acontece com Ondjaki, com os dois t\u00edtulos: <em>O Voo do Golfinho e A Bicicleta que tinha Bigodes<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EST\u00cdMULO \u00c0 LEITURA VERSUS LIVRO I. A Leitura Infantil e o Desenvolvimentoda Crian\u00e7a \u00abQuem l\u00ea um livro nunca ser\u00e1 a mesma pessoa\u00bb. O enunciado acima \u00e9 sintom\u00e1tico do valor da leitura para um indiv\u00edduo e, concomitantemente, para a sociedade que o acolhe. 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