{"id":732,"date":"2024-06-26T17:13:12","date_gmt":"2024-06-26T17:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/?p=732"},"modified":"2024-06-26T17:13:12","modified_gmt":"2024-06-26T17:13:12","slug":"31-de-julho-dia-da-mulher-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/?p=732","title":{"rendered":"31 DE JULHO, DIA DA MULHER AFRICANA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UM P\u00c9RIPLO PELO PASSADO COM OS OLHOS NA EMANCIPA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"133\" height=\"175\" src=\"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/PEDRO-CHITANGASI.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-733\" style=\"width:174px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como a popula\u00e7\u00e3o masculina, a popula\u00e7\u00e3o feminina encontra-se distribu\u00edda pelos v\u00e1rios continentes que comp\u00f5em a terra, desde Am\u00e9rica, Europa, \u00c1sia e \u00c1frica, partilhando as mesmas situa\u00e7\u00f5es, os mesmos desafios e as mesmas aspira\u00e7\u00f5es.<br>Na hist\u00f3ria de \u00c1frica, caso adoptemos a teoria de Durkheim sobre a solidariedade mec\u00e2nica e org\u00e2nica nota-se as mulheres sempre foram determinantes na estabilidade social. Comummente ouvimos falar sobre mulheres monarcas, diplomatas, guerreiras, m\u00e3es, guardi\u00e3s, curandeiras\/ m\u00e9dicas e professoras. Consequentemente, \u00e9 tamb\u00e9m comum ouvirmos falar sobre Estados\/Na\u00e7\u00f5es pr\u00e9-coloniais onde as mulheres eram parte central do cord\u00e3o de seguran\u00e7a dos Reis. In\u00fameros nomes, dos quais salientamos os de Cle\u00f3patra, Rainha de Kemet, Makeda, de Sab\u00e1, Njinga Mbandi do Reino do Ndongo e da Matamba, Kimpa Vita, \u00abprofetiza e curandeira\u00bb do Congo, s\u00e3o conhecidas n\u00e3o somente em \u00c1frica, mas tamb\u00e9m no mundo ocidental.<br>Exemplo dessa abordagem, \u00e9 o caso do Benin, nas lutas contra a invas\u00e3o colonial, no qual havia um ex\u00e9rcito com especificidades jamais pensadas para a \u00e9poca. Conhecidas por Mino, \u00abNossas M\u00e3es\u00bb, na l\u00edngua Fon, eram mulheres que formavam a tropa especial de guarni\u00e7\u00e3o do Rei de Daom\u00e9, actual Benin. Esse bra\u00e7o armado feminino, formado por jovens altamente treinadas, quer f\u00edsica quer mentalmente, com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos, portadoras de armas met\u00e1licas, escudos e armamento \u00e0 p\u00f3lvora, t\u00e9cnicas militares, disciplina e for\u00e7a f\u00edsica, segundo Edna Bay, na sua obra Wives of the Leopard: gender, politics and culture in the kingdon of Dahomey, combateram o ex\u00e9rcito colonial franc\u00eas, lutando corpo a corpo durante as guerras de 1890, 1892, 1894. Esse ex\u00e9rcito era a garantia da estabilidade do reino, tal qual os Jani\u00e7aros dos Turcos, os Marines e os SEAL dos Estados Unidos e outras for\u00e7as especiais espalhadas pelo mundo.<br>Com o surgimento dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o dos Estados africanos, a hist\u00f3ria gloriosa das mulheres africanas come\u00e7ou a ficar para tr\u00e1s, tendo o patriarcado assumido as r\u00e9deas do jogo. Apesar disso, ainda existiram nomes sonantes como de Ray Alexander Simons, Deolinda Rodrigues, Josina Machel, Winnie Mandela, etc, como sendo parte da luta cont\u00ednua para a liberta\u00e7\u00e3o e estabiliza\u00e7\u00e3o de \u00c1frica. Segundo Maria Paula Meneses, quando as mulheres entravam para as guerras de liberta\u00e7\u00e3o tinham dois inimigos, o homem africano e o colonialista. A pesquisadora assegurou que o papel das mulheres nas lutas de liberta\u00e7\u00e3o da Guin\u00e9-Bissau, Angola e Mo\u00e7ambique foi inviabilizado e esquecido pelos pr\u00f3prios movimentos, que assumiram uma narrativa demasiada centrada na luta armada.<br>O passado glorioso das mulheres africanas ficou resumido nos museus de hist\u00f3ria, nos livros e nas est\u00f3rias populares contadas em ser\u00f5es, objectivando nada mais do que animar os ouvidos dos ouvintes. O papel da mulher africana fragilizou-se muito por conta das pol\u00edticas coloniais de exclus\u00e3o, da prefer\u00eancia pelo crit\u00e9rio da for\u00e7a f\u00edsica, bem como por conta da ocidentaliza\u00e7\u00e3o da sociedade africana p\u00f3s-colonial.<br>Celebramos a 31 de Julho o Dia da Mulher Africana, consagrado em Dar-es-Salam, na Tanz\u00e2nia, em 1962, no auge das independ\u00eancias africanas, na Confer\u00eancia da Mulheres Africanas, onde tamb\u00e9m se deu a cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o da Mulher Panafricana \u2014 PAWO, cuja pauta consistia em:<br>a) Reconstru\u00e7\u00e3o da \u00c1frica;<br>b) Educa\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">c) Asseguramento da paz e da democracia.<br>Analisando a pauta da Confer\u00eancia, necessariamente teremos de voltar \u00e0 teoria de Durkheim sobre a solidariedade, bem como ao princ\u00edpio socialista propalado por L\u00e9nine onde se apelava \u00e0 unidade da classe oper\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o, \u00abOper\u00e1rios de todo o mundo uni\u00ac-vos\u00bb. Para a efectiva\u00e7\u00e3o da pauta, \u00e9 preciso que as mulheres se unam e depois que os homens e mulheres de \u00c1frica se unam num s\u00f3 bloco para a reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de \u00c1frica para o Homem Novo.<br>Assiste-se ainda hoje a uma luta desenfreada contra a prolifera\u00e7\u00e3o da SIDA &#8211; S\u00edndrome de Imunodefici\u00eancia Adquirida, em \u00c1frica, onde, segundo os dados da OMS, as mulheres s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis e, de acordo com a Ag\u00eancia de Not\u00edcias da AIDS, metade dos pacientes que vivem com VIH no mundo s\u00e3o mulheres. Tal facto se revela muito por conta da falta de educa\u00e7\u00e3o preventiva e da vulnerabilidade, quer biol\u00f3gica, quer econ\u00f3mica delas. Vemos tamb\u00e9m massivos casos de proibi\u00e7\u00e3o, em muitas comunidades, da presen\u00e7a de mulheres no sistema de ensino formal, relegando-as \u00e0s tarefas de servi\u00e7o dom\u00e9stico e procria\u00e7\u00e3o, recebendo exclusivamente instru\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e<br>com finalidades dom\u00e9sticas. Por conta desse entrave na educa\u00e7\u00e3o feminina, vemos um n\u00famero elevado de crian\u00e7as- -mulheres-m\u00e3es, m\u00e3es-crian\u00e7as-mulhe-res e mulheres-m\u00e3es-crian\u00e7as, sendo cada caso diferente do outro e carecendo de estudos. Tal situa\u00e7\u00e3o, passados 61 anos da proclama\u00e7\u00e3o da PAWO, lesa fortemente a pauta definida e os objectivos da luta contra a domina\u00e7\u00e3o colonial e de Homens para Homens.<br>Quando olhamos para os dados advindos dos conflitos pol\u00edticos armados em \u00c1frica, \u00e9 de bradar de dor o cora\u00e7\u00e3o, vemos que as mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o as principais v\u00edtimas, com realce aqui \u00e0s mulheres. S\u00e3o v\u00edtimas de grosseiros abusos de seus direitos fundamentais taxados no Protocolo \u00e0 Carta Africana dos Direitos Humanos dos Povos, sobre a mulher dos direitos das mulheres, desde raptos, viola\u00e7\u00f5es, mutila\u00e7\u00f5es e outras barbaridades de que a mente humana sente receios de pensar.<br>Neste quadro cinzento, mais do que olhar, \u00e9 preciso agir, tal como nos ensina o poema \u00abCantata da Paz\u00bb da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, em cujos versos, somos chamados a dizer \u00abvemos, ouvimos e lemos\/n\u00e3o podemos ignorar\u00bb. Associado a isto, o poema de Ant\u00f3nio Cardoso (poeta angolano) \u2014 \u00c9 in\u00fatil chorar \u00abse choramos aceitamos, \u00e9 preciso n\u00e3o aceitar!\u00bb<br>Assim, exige-se que se fa\u00e7a um acerto na pol\u00edtica educativa e que os Estados africanos aumentem os esfor\u00e7os de inser\u00e7\u00e3o das mulheres na vida p\u00fablica. Essa exig\u00eancia estende-se desde o Estado, enquanto governo, aos cidad\u00e3os enquanto parte dele, pois todo o mal que se faz \u00e0s mulheres, desde a exclus\u00e3o ao ensino, \u00e0 sa\u00fade, ao emprego, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica, desembocam, inevitavelmente, na sociedade, enquanto macro-estrutura que congrega homens e mulheres. Afinal, j\u00e1 diz o ad\u00e1gio popular africano \u00abEducar a mulher \u00e9 educar a na\u00e7\u00e3o inteira\u00bb.<br>E em resposta ao t\u00edtulo que suporta esse desabafo, e se hoje fosse o dia da mulher africana, respondemos que, se fosse, ter\u00edamos homens e mulheres africanos a constru\u00edrem revolucionariamente \u00c1frica para o Homem Novo: \u00c1frica de homens e mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM P\u00c9RIPLO PELO PASSADO COM OS OLHOS NA EMANCIPA\u00c7\u00c3O Tal como a popula\u00e7\u00e3o masculina, a popula\u00e7\u00e3o feminina encontra-se distribu\u00edda pelos v\u00e1rios continentes que comp\u00f5em a terra, desde Am\u00e9rica, Europa, \u00c1sia e \u00c1frica, partilhando as mesmas situa\u00e7\u00f5es, os mesmos desafios e as mesmas aspira\u00e7\u00f5es.Na hist\u00f3ria de \u00c1frica, caso adoptemos a teoria de Durkheim sobre a solidariedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-in-por-dentro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":734,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/732\/revisions\/734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensanacional.nonogenisoft.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}