ACADÉMICO ANGOLANO CONFIDENCIA
IMPRENSA NACIONAL É A VANGUARDA DA LIBERDADE DE IMPRENSA EM ANGOLA
Uma autêntica aula magna ecoou no refeitório da Imprensa Nacional, que se transformou em auditório para dar brilho ao 3 de Maio, o dia consagrado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como da Liberdade de Imprensa. Sob o tema «Imprensa Nacional: jornais, difusão de ideias e mobilidade social (1845- -1923)», o Espaço Cultural Tululuka da empresa não quis ficar alheio à efeméride e convidou o Prof. João Pedro Cunha Lourenço que, de forma sintética mas profunda, percorreu o período em análise, tendo referido que «a Imprensa Nacional contribuiu, de forma decisiva, para o surgimento de determinadas classes profissionais, como gráficos, jornalistas, escritores e livreiros, que estão associados a si e, concomitantemente, à liberdade de imprensa e expressão devido, sobretudo, a circulação de ideias». Num cenário contagiante e de elevado valor histórico-reflexivo, antecedido do movimento compassado da sensibilidade musical de Aline Frazão que, com a sua «Langidila» — canção em homenagem à intelectual angolana Deolinda Rodrigues — retratou de forma indelével, cadenciada e poética a liberdade de imprensa e de expressão no País. O académico, especialista em história e cultura, fez um paralelismo de elevado interesse intelectual entre o ensino, o conhecimento e a circulação de ideias, advogando que a liberdade de imprensa é uma faceta da liberdade de expressão. «Quando falamos de ensino, estamos a falar de conhecimento e quando falamos de conhecimento, estamos a falar de circulação de ideias. Logo, a liberdade de imprensa ultrapassa a imprensa; é a liberdade de expressão», defendeu o prelector de forma categórica, eloquente e elucidativa. Ao longo da sua concisa, mas abrangente abordagem, o quadro sénior do Ministério da Cultura e Turismo considerou o Tipógrafo como das profissões mais relevantes da época para a circulação de ideias, contribuindo decisivamente para a mobilidade social, a difusão de ideias e do conhecimento. Na sua visão, «os panfletos do Tipógrafo foram factores mobilizadores de grande relevo, convertendo-se num dos maiores marcos da difusão de ideias nacionalistas. Assim, a Imprensa Nacional é o baluarte do conhecimento, da literatura, do jornalismo, da indústria gráfica e da liberdade de expressão», aludiu o antigo Director da Biblioteca Nacional de Angola e do Museu de Escravatura. A finalizar, e instado a relacionar o estágio da liberdade de imprensa, no País, naquele longínquo período com a actualidade, e a abordar os caminhos e a contribuição da imprensa privada para o pluralismo de ideias, o historiador enfatizou que «há uma continuidade na luta de liberdade de imprensa desde os primórdios do surgimento da imprensa em Angola». Para ele, a imprensa não se reflecte no privado como independência. Deriva-se da perspectiva e do modelo de abordagem, dando uma série de exemplos para fundamentar os seus argumentos de razão. Por conseguinte, o exemplo mais significativo foi o referente aos dois maiores jornais privados da época, nomeadamente «A Civilização da África Portuguesa» — primeiro periódico surgido na Angola Colonial, atinente aos anos de 1866 a 1869 — e o «O Comércio», em que se rivalizavam em vários itens, mas o Tráfico de Escravos foi o mais elucidativo. O primeiro defendia a abolição do tráfico negreiro, ao passo que o segundo subscrevia a sua permanência. «Em relação ao mundo da imprensa livre e não livre, tudo depende da perspectiva, do dono (proprietário) e dos interesses na abordagem», sentenciou, recebendo rasgados elogios dos presentes, bem como dos que assistiam via zoom, como reconhecimento unânime da sua elevada prelecção, vincada no fecho do certame pelo Presidente do Conselho de Administração, Lando Sebastião Teta, quando felicitou o palestrante «pela autêntica aula brindada em que todos tiveram mais subsídios e conhecimento sobre o percurso brilhante da Imprensa Nacional». «Gerir sem conhecer a história da Imprensa Nacional parece-nos disparar no escuro», confidenciou o homem forte da empresa, rematando que a Instituição que dirige pretende posicionar-se como um Centro de Cultura, de Conhecimento e de Ideias.

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