NO 178.º ANIVERSÁRIO DA ORGANIZAÇÃO

GLAMOUR ULTRAPASSADO PELA RELEVÂNCIA

No dia dedicado à Imprensa Oficial do Estado Angolano, um marco prendeu a atenção dos colaboradores mais atentos: o Glamour, como não é da praxe, foi ultrapassado in extremis pelos indicadores de recuperação financeira e estabilidade, assim como as perspectivas da Organização nos curto, médio e longo prazos proferidos pelo PCA Lando Teta, psicoemocional, prelectado pelo Dr. Pedro Félix Zola no tema «Inteligência Emocional e Mindset de Crescimento» e cultural, alicerçado no anúncio da obra «Ntangu e Ntima ou a Absoluta Minha Jesus», de Ondaka 6.7, como vencedora da 5.ª Edição do Prémio Imprensa Nacional de Literatura 2023, bem como do lançamento das obras «Os heróis que não sabiam voar», de Honório Quimbuari, e «A filha do soba e o trono», de Tino Kangolar, vencedoras, respectivamente, da 2.ª e 3.ª Edições do Prémio instituído pela Imprensa Nacional-E.P., em cumprimento do ponto 1 do artigo 9.º do Regulamento do Prémio.

Com efeito, a actividade alusiva ao 178.º aniversário da gráfica secular iniciou, na biblioteca da empresa, com o Anúncio dos Resultados elaborados pelos Membros do Júri referentes às 6 (seis) obras submetidas à 5.ª Edição do Prémio Imprensa Nacional de Literatura- 2023 — nas modalidades da narrativa e do teatro — sendo uma da Província do Moxico e as restantes de Luanda, facto referido pelo seu Coordenador, Hermenegildo Seca, no âmbito da cerimónia de Abertura dos Envelopes em Hasta Pública, realizada no dia 16 de Agosto, no «Espaço Tululuka». Nesse ensejo, o Júri do Prémio, constituído pelos académicos Manuel Muanza, Presidente, e Joaquim Martinho, Vogal, assim como David Capelenguela — Vogal e Secretário Geral da UEA (União dos Escritores Angolanos), declarou, por unanimidade, a obra de Ondaka 6.7, vencedora pelo facto de a «prosa textualizar o desejo de viver em Luanda, em busca da formação e da profissão de professor, alimentado por um jovem» e «priviligia a oralidade no discurso».

O Júri aludiu, igualmente, a obra «como crítica ao êxodo rural, pois explora as preocupações da conjuntura social, reflexos do nosso tempo, sinais que serão úteis para a leitura da época actual por parte das futuras gerações». Por conseguinte, no evento prestigiado pelo PCA Lando Teta, o Administrador Manuel António, membros de direcção e chefia da Instituição, candidatos, jornalistas e anónimos, o realce recaiu, igualmente, para a venda e sessão de autógrafos das obras vencedoras das edições de 2020 e 2021.

Outrossim, nesse acto célere e singelo, reforçou-se o compromisso da Instituição da irreversibilidade do Prémio e, consequentemente, da valorização da cultura nacional.

Nesse particular, convidado por Jeane Adão — Mestre de Cerimónia e Secretária do Conselho de Administração — à abertura da cerimónia, o responsável máximo considerou que o Prémio foi instituído com o objectivo de valorizar o talento nacional e promover a divulgação de obras de autores desconhecidos, ou seja, que não tenham obra literária publicada, quer em formato físico quer em suporte digital, reforçando que «mediante este Prémio, augura-se proceder à selecção de obras inéditas e com elevada qualidade em termos literários nos domínios da narrativa e do drama (teatro), escritas em língua portuguesa, cujos autores devem ser cidadãos angolanos ou estrangeiros residentes em Angola há mais de 3 anos». essa 5.ª Edição do Prémio, saltou à vista o recuo de conquistas de edições anteriores, nomeadamente a ausência de escritoras, a redução significativa das obras — cerca de 45% em relação à 4.ª Edição (6 versus 10), do cunho nacional do Prémio — 50% (2 províncias versus 4) em relação a 2022.

Na segunda vertente, no Pátio A da Instituição, a homenagem aos reformados foi a nota visível relevante, tendo os 13 «cumpridores» sido agraciados com um diploma de reconhecimento, uma Smart TV, de 32 polegadas, da marca Bauhn, e uma fotografia caricaturada criada pelo Designer Carnot Júnior, Chefe da Unidade de Design e Coordenador Gráfico do BIIN. Num evento significativo, apesar das contingências financeiro-cambiais, no qual a base foi o Grupo de Trabalho criado, à luz da Ordem de Serviço n.º 30/23, de 7 de Agosto, em que se homenageou 2 ícones da música angolana, considerados as maiores referências internacionais, concretamente Waldemar Bastos, cantor e compositor de dimensão imensurável, falecido há 3 anos, e Teta Lando, precursor do simbolismo da musicalidade proverbial e linguística da MPA – Música Popular Angolana (vide Jornal de Angola de 4/11/19), envolveram-se a palavra, a música e a dissertação emocional, marcando o baptismo de Correia Samuel, 1.º Secretário da Comissão Sindical, no prestigiante papel de Mestre de Cerimónia, ladeado por Antónia Ramalho, Chefe do Departamento de Finanças.

Por um instante, o silêncio invadiu o ambiente e ecoou a voz e a mensagem profundas do cantor que combinava afropop, fado e influências brasileiras, na eternizada «Velha Xica», um verdadeiro hino da luta contra a opressão colonial. Ademais, a palavra, a música, a declamação de poema e o aconselhamento motivacional de elevado nível tiveram uma simbiose digna de registo. Nesse particular, o prelector conseguiu invadir o âmago da maioria do auditório, de acordo com as considerações aferidas pelo BIIN, que voltou a deslumbrar com a musicalidade compassada de Belita Palma no seu «Manazinha», outra obra-prima do cancioneiro angolano. Ao surgir o momento mais esperado, o da Prestação de Contas, os colaboradores prenderam a visão, mas sobretudo a audição, na mensagem do seu Presidente para aferir se as «Esperanças Idosas» — interpretada profundamente pelo criador de «Reunir», aludindo a desilusão pelo rumo da sua Pátria — seriam revertidas no que à Organização diz respeito. Assim sendo, O PCA Lando Teta fez um discurso abrangente, incidindo ao pormenor em todas as variáveis com dados para a melhor compreensão dos colaboradores. O líder da Organização realçou o exercício da cidadania para a consolidação da democracia, pelo facto de a Imprensa Nacional-E.P. ser um pilar importantíssimo no concernente à dignificação do Estado Democrático e de Direito. «Somos trabalhadores distintos … especiais pelo papel que desempenhamos na construção da cidadania», aludiu o PCA Lando Teta diante da magna Assembleia de Trabalhadores, tendo recebido palmas e ovação, sinal evidente de que a mensagem tenha passado.

Destacou, com enorme satisfação, as contribuições da empresa centenária ao longo do seu processo de construção e consolidação do Homem Novo. O PCA Lando Teta introduziu a temática da cultura empresarial, aconselhando os colaboradores, uma vez mais, a comprometerem-se com a causa, a mudarem de mentalidade, pensando grande. «Quem pensa grande … age grande e quem pensa pequeno … age pequeno! O CAD Conselho de Administração pensa grande!!!», rematou, prometendo que a ambição do CAD vai traduzir-se em factos. Na defesa da sua convicção, partilhou que, no âmbito do PROSEFA (Programa Nacional de Selos Fiscais de Alta Segurança), a Organização recebeu as receitas de 20% do Consórcio do Projecto, tendo adquirido 4 importantes máquinas, reduziu a 20% a dívida, facilitando o pagamento total das contribuições ao INSS. «Apesar de a percentagem ser ainda ténue, vamos avançar com o pensamento e determinação que nos caracteriza». Prometeu, igualmente, fazer um incremento salarial em Janeiro de 2024 para fazer face às oscilações cambiais e ao aumento do custo de vida, assim como aumentar o plafond do Cartão Shoprite e transferir o subsídio de transporte para o salário-base. Porém, para que a aspiração de estabilidade tenha consistência, é necessário banir os vícios.

Nessa conformidade, o PCA Lando Teta debruçou-se sobre a rede de contrafacção e furto de produtos da empresa, no qual alguns estão a contas com a justiça. «Se os vícios e a cultura corporativa não mudarem, vamos morrer na praia», esclareceu, tendo adiantado que o novo sistema de avaliação de desempenho em voga será determinante. «Com ele se vai aferir quem trabalha, quem finge trabalhar e quem não trabalha», prontificando medidas correctivas rígidas que vão da transferência ao despedimento. A confraternização encerrou com os habituais comes e bebes sem chama, nem glamour, face «ao novo normal», mas com os apetecíveis quitutes da terra a encabeçarem as iguarias.