DE MAIA FERREIRA A ISAURA AFONSO

O RENASCER DAS CINZAS

A Imprensa Nacional (IN-EP.) fechou o mês da criança à grande e à francesa, com o lançamento oficial da obra literária «A Cassola e o Monstro», de Isaura Teixeira Afonso.
O acto ocorreu no dia 21 de Junho, no pátio A, num ambiente de época de cacimbo, Sexta-Feira, marcando os relógios 14h30 com o sol irradiando levemente os seus raios, e sob apresentação da colaboradora Nina Jeremias, a actividade contou com a presença de Lando Sebastião Teta, Presidente do Conselho de Administração da IN-EP, Leonel Magalhães, Administrador para a Área Técnica e Tecnológica, Célia Doutor, Directora Executiva da Lexdata, os demais directores e colaboradores da Organização, bem como os familiares e amigos da jovem escritora.
O PCA Lando Teta, no uso da palavra, afirmou que a publicação da obra «A Cassola e o Monstro» entra no quadro do resgate da vocação pela qual a Imprensa Nacional foi concebida como Editora, e o actual Conselho de Administração (CAD) definiu como objectivos, no seu plano estratégico, o desenvolvimento de negócio de edição e publicação de obras culturais e pedagógicas.
Nesta senda, destacam-se, como acções de maior relevo, a instituição do Prémio Imprensa Nacional de Literatura, que já vai na sua 6.ª edição, e as parcerias estratégicas com a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) e a União dos Escritores Angolanos (UEA).
Segundo o PCA, a obra «A Cassola e o Monstro» entra no quadro desse desiderato, considerando ser com regozijo que a sua Empresa apresenta o lançamento da mesma. Em suas palavras, o acto da apresentação constitui-se num marco histórico, pois é pela 1.ª vez que a IN-EP produz e edita uma obra infantil escrita por uma criança, caracterizando-a como de elevada qualidade literária, sendo a materialização do sonho dos progenitores da recém-escritora em traduzir em livro os seus escritos, o que propicia a sua divulgação a nível nacional e internacional. Em jeito concludente, o líder máximo da editora reafirmou que esta empresa gráfica se predispõe a acompanhar todo o trajecto da pueril escritora, atinente à edição e publicação de livros, pois a sua Instituição «quer vê-la andar, crescer e a ganhar maturidade no que a escrita diz respeito».
Na sequência da actividade, Simão Domingos, professor que prefaciou a obra, deu mostras de dominar quer as linhas gerais pelas quais a literatura infantil gira em volta, quer o contexto teórico das oraturas africanas, ao trazer angolano povoado de muitas estórias/ histórias contadas pelos mais velhos. Para o professor, «a criança tem uma imaginação fértil, porém muitas vezes esmagada pelos adultos, coarctando-as de imaginar». Por isso, «deve-se deixar fluir a liberdade de criação e imaginação da criança, pois, quando bem vivenciada, a criança ganha habilidades de participar nas artes, seja ela escultura, pintura ou literatura».
Esta obra, a seu ver, veio dar a possibilidade de aprender-se a lidar com as crianças, pois, no quadro da maginação infantil, quando uma criança pega numa vassoura, ela torna-se um avião, foguetão e naquilo que ela quiser, pois se trata do seu mundo imaginário, o que não pode ser banido. Para além disso, serve também para mostrar nas outras crianças que são capazes e que sonhar não constitui pecado, pois só deste jeito, num futuro, com base nos registos ficados no consciente, poderão contribuir para a construção dessa nação.
Tomando a palavra, por seu lado, a jovem escritora agradeceu aos amigos e familiares pelo apoio e à Imprensa Nacional pelo voto de confiança, dando realce às palavras do professor que apelou à não- -limitação da imaginação das crianças, pois «as crianças são capazes de qualquer coisa, e que os adultos devem cuidar e fazer parecer que são o futuro do amanhã com a vocação para mudar o mundo», rematou Isaura Afonso.
No quadro das perguntas e considerações,Madalena Batalha, Assessora para o Compliance e Integridade, parabenizou Isaura e os seus pais pela obra e mostrou o seu espanto com a retórica da jovem escritora, dando realce que antevê uma grande mulher para o futuro. Na mesma senda, tomando a palavra, Graciosa Almeida, Directora do Gabinete de Planeamento, Estatística e Controlo de Gestão (GPECG), questionou-a sobre a motivação para o título da obra, pelo que respondeu que para o título dois elementos foram cruciais, sendo o monstro o dono da casa, na estória, e o nome Cassola surge como apelo da mãe, porque, enquanto escrevia, lhe pediu que usasse um nome africano e sugestivamente o nome da sua avó.

Na sequência, procedeu-se à venda e à sessão de autógrafos, pelo que se registou uma adesão não muito esperada. Segundo alguns colaboradores, tal situação deveu-se à programação da actividade em época em que já se estava com «saias justas» no que às economias diz respeito, o que seria diferente se a actividade fosse realizada em época de salário, nos dias 26, 27 em diante.
Em relação a esse desabafo, a equipa do BIIN foi ao encontro da responsável da Direcção Comercial e Captação de Negócios, Neid Guimarães, que lamentou a situação em que os colegas se encontravam e esclareceu que não se tratou de má programação como tal, mas agiu-se em conformidade com o pedido dos pais, que entendiam como preferível ser feita no dia 1 de Junho por ser a data consagrada às crianças, porém as condições internas não permitiam que tal se procedesse. Adiantou que se gizaram alguns esforços para que se apresentasse a obra noutros locais, no decurso do mês de Junho, antes mesmo da IN-EP. Assim, fez- -se na rádio LAC no Sábado, 15 de Junho, e na Igreja Metodista da Nova Estrela, onde a escritora cultua.
Na IN-EP tratou-se exclusivamente da apresentação oficial, pois, na visão da Instituição no quadro dos esforços, a menina precisava desse acto público para motivação. Também se fez presente no colégio de Isaura Afonso, a pedido da Directora, nos programas «Sexto Sentido » e «Janela Aberta», da TV Zimbo e TPA, respectivamente. Nesse momento, pensa-se explorar os programas infantis, como o «Caluanda Pió», da Rádio Luanda, bem como dar resposta ao convite feito pelos colégios da rede de colégios onde a escritora estuda e aos da Igreja Metodista para publicitar e comercializar massivamente a obra.
«De forma geral, a data de 21 surge como uma resposta rápida aos anseios da escritora e pedido da família», concluiu a Directora Neid Guimarães.
De acordo com Maura Teixeira, prima da escritora, quando questionada sobre a obra em referência, respondeu que a família Teixeira tem queda para escrever e tal dom advém do velho Francisco Teixeira, avô da escritora, que, desde muito cedo, vem contando estórias e histórias aos filhos e netos. Contando com 80 anos, segundo a neta, fala com bastante lucidez e, de quando em quando, aos netos vem dando explicações sobre matérias de escola. Outrossim, agradeceu o trabalho que a Imprensa Nacional fez, porém, questionou a morosidade na realização do lançamento oficial, bem como a ausência de Hermenegildo Seca*, com o qual se estabeleceu contactos permanentes no decurso das negociações e acto de produção da obra.
Isaura Teixeira Afonso, a escritora em voga, quando questionada sobre as outras obras em carteira, confidenciou que já tem três em processo de escrita e duas em acabamento e pensa fazer chegar à editora tão logo se tenha vendido metade da actual obra. Realçou também que a Cassola poderá ser uma saga, onde esta será a personagem permanente, a próxima que virá será «A Cassola e a Eclosão».
De realçar que Isaura Teixeira Afonso nasceu em Luanda, aos 9 de Abril de 2011, e estuda a 7.ª Classe no Colégio Mundo Novo, onde foi galardoada com o certificado de mérito na 6.ª Classe, venceu o Concurso da Feira do Livro, realizada na Rádio LAC, foi finalista do Concurso de Redacção e Desenho com o tema «Plantemos os alimentos e não tabaco», realizado pelo Ministério da Saúde, é também autora do jogo infantil «A Casa da Loucura ».
Aos 5 anos de idade foi condecorada com o certificado de mérito, criança do ano na E.B.F. (Escola Bíblica de Férias), na Igreja Metodista Unida da Nova Estrela. A actividade terminou às 16h30, com o sol já em extrema queda. O auditório que albergou a actividade já estava vazio, dando-se assim por encerrado o dia em que a Imprensa Nacional germinou mais um rebento.

Nota do Editor: Ausência de Hermenegildo Seca

A ausência de Hermenegildo Seca deveu-se ao falecimento da sua progenitora dias antes deste evento.