21 DE MARÇO EM MÚSICA, DECLAMAÇÃO E PRELECÇÃO
SHOW DE POESIA NO REFEITÓRIO
Uma autêntica aula magna sobre poesia verificou-se no Refeitório da Imprensa Nacional-E.P., no dia 22 de Março, no âmbito da Agenda Cultural Tululuka, para saudar o Dia Mundial da Poesia, celebrado a 21 de Março, implementado na 30.ª Conferência Geral da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — sigla em inglês) em 1999.

A prelecção foi atribuída ao linguista Hermenegildo Seca, Director de Edição e Publicação da Instituição e do BIIN (Boletim Informativo da Imprensa Nacional) que levou o «auditório» rendido à sua performance intelectual cuja unanimidade do brilho da abordagem poética foi inquestionável e evidenciado na intervenção do PCA Lando Teta, desafiado pela moderadora Juelma Torres (Coordenadora de Edição e Publicação) a tecer algumas considerações a respeito. Com efeito, o líder máximo da Organização, visivelmente emocionado e regozijado pela profundeza de conhecimentos literário e cultural do seu auxiliar, confidenciou à plateia que, com todo o arcabouço que tem demonstrado no campo das artes, se tem perguntado se o cargo de Director do Diário da República é suficiente para tão elevado conhecimento. «Tivemos uma aula magna e sinto-me emocionado por descobrir que tenho um quadro de elevada valência que vai além de Director do Diário da República», desabafou o PCA Lando Teta, tendo acrescentado que o prelector é um cultor de cultura e literatura, em particular, que o deixou confortável aquando do Fórum das Imprensas Oficiais dos Países de língua portuguesa (IOLP), realizado em finais de 2023 em Salvador da Bahia, Brasil.

Na mesma cadência, confidenciou-nos ser um amante de cultura, por esse facto dá anuência a todos os actos com ela relacionados. «Eu nasci em Brazzaville, no internato 4 de Fevereiro do MPLA, e cresci no seio de uma família cultural, tendo como professores António Jacinto e Amélia Mingas, eminentes homens de cultura angolana», concluiu com a emoção retratada no rosto e nas palavras.

Na verdade, foi uma agenda cultural de elevado nível intelectual no decorrer de uma hora e meia, tendo iniciado com o colaborador João Cunha (DEP) a entoar, de forma magistral, o «Poema Africano», de Agostinho Neto, musicado por Filipe Mukenga e, de seguida, a mestre-de-cerimónias, Jeane Adão (Secretária do Conselho de Administração) anunciou, na segunda vertente do certame, a estreia nessas lides da cola oradora Irina Albano, declamando com elevação o poema «Fruto Maduro», de Filipe Mukenga.
O prelector fez uma incursão interessante e de grande profundidade sobre os meandros da arte poética, derivada do grego poíesis, indicando a ideia de «criar algo», e considerada como «a beleza do texto», esmiuçando a origem da poesia em português (cantigas) e o sujeito poético (definição), entrando nas suas variantes masculina (de amor) e feminina (de amigo), assim como das críticas indirecta (de escárnio) e directa (de maldizer). Debruçou acerca dos conceitos milenares da arte, de acordo com Aristóteles, de extractos de músicas com poesia, das obras poéticas clássicas da lusofonia e de alguns equívocos. «O ser humano observa a realidade, reflecte e escreve», aludiu o académico licenciado em Língua Portuguesa pelo ISCED-Luanda (Instituto Superior de Ciências de Educação), quando se referia aos processos filosóficos de Mimese (imitação da realidade) e Catarse (purificação do espírito), imortalizada nos conceitos do pai do conhecimento empírico. Um dos momentos mais ovacionado derivou- se da ocasião em que o protagonista da agenda relacionou a poesia versus língua à mulher. Para ele, a língua versada na poesia desenvolveu-se para conquistar as mulheres, porque «as mulheres são muito auditivas e os homens muito visuais». No concernente à música, referiu cantando extractos das músicas com poesia «Pôr-do-Sol», de André Mingas, e «Sonho de um camponês», extraída do disco «Esperanças Idosas», de Alberto Teta Lando, merecendo, em uníssono, acompanhamento da plateia.

Denotando absoluto domínio do tema em abordagem, transcorreu, com subtileza, nos caminhos das obras poéticas de relevância da lusofonia, nas quais, entre muitas de genialidade reconhecida, subtraiu cinco que enumerou em ordem cronológica, nomeadamente: • Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões (1572); • Delírios, de Joaquim Dias Cordeiro da Matta (1889); • Charneca em Flor, de Florbela d’Alma da Conceição Espanca (1931); • Mensagem, de Fernando António Nogueira Pessoa (1934); • Sagrada Esperança, de António Agostinho Neto (1974). Nesse quesito, o Director da DEP e do BIIN fez uma incursão profunda sobre a temática das obras e da performance da vida literária dos seus autores, considerando Fernando Pessoa como o maior poeta não só da lusofonia, mas universal. «Fernando Pessoa é um génio da escrita poética», concluiu com um à-vontade incomum, realçando que muitos sabem, porém não dizem por receio da reacção anglo-americana «A prova disso é a criaçao de heterónimos», rematou o palestrante, que frequenta o PhD em Literatura na Universidade de Évora. Nesse cenário cultural de elevado quilate em que a cadência poética se entrelaçou, de forma harmoniosa, com a música, a declamação e a prelecção, regista-se as intervenções de Neid Guimarães (Directora Comercial e de Captação de Negócios), Correia Samuel (Técnico do Gabinete Jurídico e antigo 1.º Secretário da Comissão Sindical), Custódio Nguinamau (Coordenador da Área de Desenvolvimento de Novas Soluções Digitais) e Mário Branda (técnico da Direcção da Edição e Publicação). Ao finalizar, e desafiado pela Administradora Não Executiva, Rodeth Gil, a debruçar-se sobre as mulheres no âmbito da jornada Março Mulher, o prelector fez uma vénia às cinco mulheres heroínas, assassinadas no Congo Léopoldville, na década de 1960, salientando a poetisa Deolinda Rodrigues de Almeida e convidando todas as mulheres a lerem as suas obras «Cartas de Langidila e outros documentos» e «Diário de um exílio sem regresso», organizadas pelo seu irmão Roberto de Almeida.

E a actividade terminou num dueto contagiante entre o prelector e a mestre-de-cerimónia, homenageando as mulheres na música com poesia «Equilíbrio», de Keita Mayanda, um ícone da nova geração angolana. Saliente-se que o programa foi elaborado pela Coordenadora Editorial e Cultural, Elma Bernabé, com o apoio do Chefe do Departamento de Gestão Documental, Abel Morais, sendo o suporte tecnológico prestado pelo Coordenador da Área de Produtos de Identificação e Integração de Projectos, Gilberto Casimiro.

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