ISABEL ALEXANDRE E TERESA CONTREIRAS ARREBATAM PRATA E BRONZE NA CORRIDA PEDESTRE «VIVA A VIDA SEM SIDA»

Um total de 25 (vinte e cinco) atletas associados aos sindicatos filiados na União dos Sindicatos de Luanda — USL, entre os quais 4 (quatro) mulheres, participaram, no dia 28 de Abril, na 18.ª Edição da Corrida Pedestre com o tema «Viva a Vida sem Sida». Realizada sob a égide daquela organização sindical de Luanda, o evento visou saudar as festividades alusivas ao Dia do Trabalhador (1 de Maio) que iniciam no mês de Abril com a Corrida Pedestre a fim de homenagear os trabalhadores falecidos e lesionados. A corrida, com o percurso Largo do Baleizão — Porto de Luanda, teve como vencedor Diogo Jorge — representante da Ango Rayan- STITSL, seguido por Laurindo Francisco, igualmente da equipa vencedora, e Sebastião Rocha do SINDEA, nas 2.ª e 3.ª posições, respectivamente. Em femininos, as nossas atletas Isabel Alexandre e Teresa Contreiras conquistaram a Prata e o Bronze, atrás da «dourada» Rita Makiesse, do SINDEA, tendo recebido como prémios taças e 2 (dois) envelopes com as quantias de Kz: 5.000,00 cada, como valores simbólicos. De realçar que, nessa actividade de educação física e desporto com representantes dos Sindicatos Agro-Pecário, Transporte Marítimo, Indústria Transformadora, Sindiprol, Construção e Habitação, a Imprensa Nacional-E.P. esteve representada com 8 (oito) trabalhadores, dos quais 2 (duas) senhoras, na qual Francisco José, da Direcção de Compras e Logística — DCL, foi o 5.º classificado da geral, enchendo de orgulho a instituição. De salientar que o colega Carlos Missando foio mais velho da Corrida, tendo sido agraciado com um valor simbólico de Kz: 3.000,00. A actividade encerrou com um momento de confraternização entre os participantes.

OPINIÃO

UM OLHAR CEGO À CARTA AFRICANA DOS DIREITOS E BEM-ESTAR DA CRIANÇA

A 16 de Junho de 2023, como nos anos anteriores, celebra-se o Dia da Criança Africana, em memória do massacre de Soweto, em Joanesburgo, na África do Sul. Numa data como esta, milhares de estudantes saíram às ruas, em 1976, protestando contra a fraca qualidade de ensino e contra a primazia do ensino da língua Afrikaans, nas escolas, em detrimento das outras línguas com maior número de falantes, como o Zulu e o Xhosa. Este é o quadro básico do dia de hoje e doutros dias como o hoje que celebramos. Já passam 47 anos, e os Estados africanos ratificaram a data como parte do seu ordenamento jurídico interno. Porém, na hora do vamos ver, as crianças e seus problemas morrem/vivem à esquina mais distante de cada sanzala que compõe este amontoado de terras planas e montanhosas. A Carta Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança (1990) comporta 48 artigos, partindo da obrigação de cumprimento dos Estados que a ratificam à proibição do uso de drogas e de substâncias psicotrópicas por parte das crianças, sob protecção do Estado e dos seus reitores. Os Estados signatários comprometeramse, em letras garrafais e voz de elefante, a defender e respeitar a vida da criança africana, independentemente do contexto. O direito ao nome, à nacionalidade, à educação, saúde, habitação, à liberdade de expressão e de associação, à liberdade de pensamento, consciência e religião, protecção de privacidade, lazer, recreação e actividades culturais, protecção da criança com deficiência, proibição do trabalho infantil, protecção contra o abuso e tortura, administração da justiça infantil, protecção da família, protecção contra nocivo social e práticas culturais, conflitos armados, protecção das crianças refugiadas e exploração sexual são o conteúdo deste Documento. Contudo, em 47 anos, poucos Estados africanos conseguiram fazer a metade disso, contrariando deste modo a máxima jurídica «Pacta sunt servanda» (Acordos devem ser cumpridos). Presenciamos os conflitos recorrentes de adultos com poder, onde as crianças são as mais afectadas. Estes conflitos transportam como consequência um descontrolado atropelo aos seus direitos consagrados naquele Documento ratificado. Segundo o relatório das Nações Unidas sobre o conflito armado em 2021, mais de 19.300 meninos e meninas afectados pela guerra foram vítimas de graves violações, como recrutamento e estupro, observando-se um crescimento exponencial de sequestros na ordem dos 90% e 70% para estupro e outras formas de violações sexuais. O relatório termina dizendo: «As guerras de adultos tiraram a infância de milhões de meninos e meninas mais uma vez». Como se posicionar diante do crescente número de crianças fora do ensino escolar? Como formaremos o Homem Novo, se matamos, desincentivamos, evitamos a formação do «ser em devir»? Como garantiremos a transmissão de valores geracionais, se somos um canteiro de contravalores? Perguntas dessa natureza não são para serem respondidas. Precisamos, em verdade, de olhar a tudo isto, e, no final, havemos de voltar às palavras do saudoso PCA Neto «A caneta é a arma do Pioneiro». E é só essa a arma que a criança deve portar, pois que «Estudar é um dever revolucionário», sendo a forma mais viável de acabar com os problemas citados. E assim, faremos o Homem Novo.