Opinião
O PAPEL DO SINDICATO DA IMPRENSA NACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES

Antes de ater-me ao tema sugerido para abordagem, gostava, de forma sumária, de contextualizar o momento do surgimento do movimento sindical, quer do ponto de vista internacional, quer nacional.
Desde logo, importa dizer que o sindicalismo remonta à Revolução Industrial, um período que se notabilizou pelo avanço tecnológico, particularmente pelo aperfeiçoamento da Máquina a Vapor. Todavia, as façanhas da época tiveram implicações desagradáveis nas relações de trabalho e na qualidade de vida dos trabalhadores.
As condições precárias, a intensa exploração e a substituição dos artesãos pelas máquinas permitiram que os trabalhadores tomassem a sua consciência de classe e se organizassem para melhor confrontarem os empregadores e questionassem sobre a situação laboral precária da época. Deste modo, surgiram os Sindicatos como meio de protecção dos interesses dos trabalhadores.
Relativamente ao surgimento do movimento sindical em Angola, remonta ao período colonial, com a fundação da primeira Central Sindical denominada União Nacional dos Trabalhadores Angolanos — UNTA, e de outros sindicatos como a SNEBA, que tem a sua origem no Sindicato Nacional dos Empregadores Bancário da Província de Luanda1 .
Com a proclamação da Independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, a actividade sindical restringiu-se à UNTA, que havia incorporado os sindicatos coloniais como mecanismo de garantia da salvaguarda dos legítimos interesses dos trabalhadores.
A actual Constituição de 2010, nos seus artigos 48.º e 50.º, reconhece a liberdade de associação e sindical, que é regulada pela Lei n.º 21-D/92, de 28 de Agosto — Lei Sindical que regula o direito de constituir sindicatos e assegura o direito de associação dos trabalhadores sem discriminação.
Hoje, podemos falar de 3 Centrais Sindicais reconhecidas pelo Estado Angolano, sendo certo que, para esta rubrica, destacaremos apenas a UNTA-CS, que congrega 124 Sindicatos por ramo de actividades e profissionais, dentre os quais o STITSL — Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Transformadora e Similares de Luanda, ao qual os trabalhadores da Imprensa Nacional-E.P. se encontram vinculados e representados por via dos Delegados Sindicais ou Representantes Sindicais.
Aqui chegado, mister se torna falar do papel do sindicato da Imprensa Nacional-E.P. para o desenvolvimento dos trabalhadores.
Assim como os demais sindicatos, a Comissão Sindical da Imprensa Nacional-E.P. tem o papel fundamental de assegurar e promover as boas condições de trabalho no seio dos trabalhadores, proteger os seus direitos e consciencializar sobre os seus deveres, mostrar-se engajado nas negociações salariais e, por conseguinte, representar os seus filiados judicialmente, caso seja necessário.
A olhar para as Comissões Sindicais anteriores até a vigente, podemos concluir que todas, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento multifacetado dos trabalhadores, na medida em que, por via da parceria criada com o Conselho de Administração, se promoveu a ideia de melhoria das condições dos trabalhadores. E, por conta disso, aos poucos essas melhorias vão sendo materializadas e vão impactando positivamente na vida dos trabalhadores.
Para evitar equívoco, gostava de mencionar alguns ganhos adquiridos pelos trabalhadores da Imprensa Nacional-E.P que, naturalmente, melhoraram as suas condições de trabalho e de vida.
A nível salarial, a Imprensa Nacional-E.P. vinha de um histórico de desnivelamento salarial agudo, sendo certo que numa Direcção era possível verificar mais de seis salários entre colegas da mesma categoria. Assim, quer as Comissões anteriores quer a actual encetaram encontros com o Conselho de Administração, que resultaram no processo de nivelamento de todas as Direcções — um processo que se encontra em fase final.
Em relação às condições de trabalho, a Comissão Sindical vigente, constatando a existência de poucas condições de acomodação profissional dos trabalhadores, nomeadamente pouca iluminação de algu-mas salas, falta de luvas, macacões e, botas para os técnicos da Direcção Gráfica, problemas nos exaustores, chuveiros, lavatórios e cacifos, prontamente levou ao conhecimento do Conselho de Administração a necessidade urgente da sua resolução.
Hoje, quando vemos os colegas da Direc-ção Gráfica bem uniformizados (com luvas, macacões e botas), os cacifos reparados, os lavatórios operacionais e não só, fica evidente o contributo da Comissão Sindical para o desenvolvimento dos seus colaboradores.
Ademais, outros contributos foram dados em prol dos trabalhadores no que tange, por exemplo, à negociação com o Conselho de Administração que resultou no aumento de rotas e de números de autocarros para apoio dos trabalhadores. Sem esquecer que o Cartão Shoprite foi consequência de Convenção Colectiva de Trabalho. Por conseguinte, o Cartão Shoprite tem um histórico que deriva do Cartão Jumbo que resulta da discussão entre o antigo Conselho de Administração e o Sindicato, cujos resultados foram integrados na Convenção Colectiva de Trabalho, instrumento na posse dessa Comissão.
Assim sendo, embora tivesse havido processo de mudança de Cartão Jumbo para Cartão Kero e consequentemente para o Cartão Shoprite, o cartão de compras continua a ser resultado daquela Convenção Colectiva de Trabalho.
Outrossim, a Comissão Sindical, na sua abordagem com os trabalhadores da
IN-E.P., tem deixado patente que o trabalhador tem não apenas direitos, mas também deveres, como prestar o trabalho com diligência, zelo e dedicação, cumprir as ordens e instruções dos responsáveis, ser assíduo e pontual, guardar sigilo profissional e sobretudo respeitar e tratar com civilidade e lealdade o empregador, conforme o artigo 44.º da Lei Geral do Trabalho.
Ora, pelas razões enumeradas supra, fica claro que o sindicato da Imprensa Nacional tem jogado um papel preponderante para o desenvolvimento dos trabalhadores, sendo certo que este processo é contínuo, na medida em que actualmente estamos engajados em parceria com o Conselho de Administração para a materialização do Seguro de Saúde, actualização do Cartão Shoprite em função da perda do poder de compra dos trabalhadores, nivelamento da Direcção Gráfica e, por fim, estudar a necessidade de aumento salarial, tudo com o fito de garantir o bem-estar dos trabalhadores.
Portanto, o caminho ainda é longo, mas de uma coisa estou certo: a Comissão Sindical vai continuar a desencadear acções visando o desenvolvimento multidimensional dos trabalhadores e, consequentemente, o crescimento e desenvolvimento da Imprensa Nacional-E.P.

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