QUATRO DÉCADAS DEPOIS
DIÁRIO DA REPÚBLICA COM NOVO ROSTO

I. PERCURSO HISTÓRICO ASCENDENTE
Ao longo do seu percurso histórico de 178 anos, celebrados a 13 de Setembro de 2023, e evolutivo de 11 anos, à custa da sua regeneração, propiciada nos investimentos de monta em equipamentos tecnológicos, de engenharia e do capital humano com o propósito visionário de aumentar a capacidade produtiva e editorial, e melhorar a qualidade dos produtos, a Imprensa Nacional de Angola alcançou performances em quase todas as variáveis de desenvolvimento, mormente económica, social, comercial e, até, de responsabilidade social.


Teve as suas impressões digitais no surgimento de tipógrafos, livreiros, jornalistas e escritores, classes profissionais determinantes na construção da cultura do conhecimento e de ideias libertadoras do povo angolano. Apesar de todo esse percurso eivado de conquistas, uma variável não conseguiu acompanhar essa cadeia de progressão multifacetada, não obstante o «boom» universal das TIC — Tecnologias de Informação e Comunicação entre 2000 a 2009, de acordo com a OCDE — Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Falamos concretamente do Grafismo, importante ferramenta que tem como premissa «a forma de expressão visual que tem desempenhado um papel significativo nas artes e no design. É uma linguagem gráfica que utiliza elementos como formas, linhas, cores e texturas para criar composições esteticamente atraentes e comunicativas». Com aplicações diversas no design gráfico, na arte, na moda e em outros campos criativos, o grafismo continua a evoluir e a inspirar.
Artistas e designers contemporâneos exploram as possibilidades dessa arte milenar, criando obras e projectos inovadores que desafiam as convenções e cativam o público. Por conseguinte, 48 anos depois da sua nova roupagem, consubstanciada no Órgão Oficial de uma nação emergente, tendo ao leme do cadeirão 5 gestores compenetrados em alavancá-la aos níveis universais de gestão, edição e produção, a Imprensa Nacional-E.P. — que se metamorfoseou — em 2004 — de UEE (Unidade Económica Estatal) para EP (Empresa Pública) com cariz estratégico, através do Decreto n.º 14/04, de 28 de Maio, do Conselho de Ministros, e publicado no Diário da República n.º 43 — fruto do empenho sem precedentes dos quadros merecedores de um ciclo de formação avançado e intenso, à luz da parceria estratégica gizada com a Imprensa Nacional — Casa da Moeda, pôs à disposição do País o Novo Grafismo com o objectivo primário de «melhorar o processo de leitura do Diário da República em dispositivos móveis e possibilitar maior acessibilidade à legislação por parte dos cidadãos», de acordo com o Despacho n.º 3829/23, de 28 de Junho, da Secretária do Conselho de Ministros, publicado no Diário da República n.º 118, II Série, que anuncia a alteração do grafismo do nosso core business a partir do dia 24 de Julho de 2023.
II. ESTUDO E CRIAÇÃO
O Projecto do novo Grafismo do Diário da República (DR), designado por «DRON — Diário da República Online», mereceu um estudo conceptual árduo e aturado para a sua consumação, iniciado a 6 de Julho de 2022 — com o processo criativo — e terminado a 15 de Maio de 2023, com a aprovação final por parte do Conselho de Administração da Imprensa Nacional-E.P.
O ponto focal da discussão acerca da implementação desse instrumento foi o impacto da internet, no qual o mesmo poderá contar com uma visualização moderna, substituindo parcialmente os Diários da República em formato físico, permitindo assim a compra e leitura do mesmo a partir de uma plataforma online, usando qualquer tipo de dispositivo digital conectado à internet, ou ainda, após guardados nos dispositivos, ser visualizados offline.
Sendo o Designer Gráfico um condutor criativo que tem em vista um objectivo comunicacional alcançado quase sempre por meio de metodologias projectuais que o auxiliam a projectar, e fazendo jus a essa máxima profissional, Juelma Torres, Coordenadora de Edição e Publicações Oficiais, Edivaldo Jorge, Inalda Leitão, Sérgio Gomes e Simão Gomes, Paginadores, «arregaçaram as mangas» e esboçaram um projecto que orgulha a Nação, permitindo a transição do Diário da República físico para um Diário da República Online, em que o leitor do DR não precisará de imprimir o mesmo e encontrará facilidade no acto da leitura e da consulta do DR a partir de um dispositivo conectado à internet.
III. DIÁRIO DA REPÚBLICA ONLINE
Segundo Juelma Torres e Edivaldo Jorge, principais artífices desse projecto inovador e reformador da nova dinâmica empresarial da Instituição, que se substancia numa referência editorial, redactorial e tecnológica do seu principal activo, sobretudo ao nível da Região Austral e da Comunidade Lusófona, «o DRON conta com uma visualização em que as páginas têm somente uma coluna, tamanho de fonte maior em relação ao anterior, e com um design colorido no que se refere às imagens, tabelas e outras informações que necessitem de algum realce de acordo com o material enviado pelas entidades».
Consequentemente, aludem que se pretende usar o design a quatro cores apenas para o ficheiro digital, facilitando assim a sua visualização em dispositivos smartphones, mantendo, porém, para o DR físico, no acto da venda, o formato preto e branco, acautelando, deste modo, os custos de impressão.
«O sumário é constituído por número da página e o próprio sumário é um link que, clicando sobre o mesmo, direcciona o leitor para a página onde está o Diploma do referido sumário. Este método serve como auxílio de uma consulta mais célere do Diário da República Online», remataram no relatório submetido para aprovação do Conselho de Administração da Imprensa Nacional-E.P.
O artefacto que, por meio de sua aparência, coroou o esforço abnegado dos criativos citados e brindou a República de Angola de matéria-prima intelectual, baseada numa cultura visual, social e psicológica de elevação e orgulho patriótico, como fomos enfatizando ao longo dessa abordagem, é o Grafismo que possui uma história fascinante e aplicações significativas em áreas criativas.
Nesse ensejo, o BIIN convida todos os colaboradores a percorrer o seu mundo: história e aplicações na arte e no design.
IV. DEFINIÇÃO E HISTÓRIA
O Grafismo é uma forma de expressão visual que possui um significado profundo e uma história rica. Desde os tempos pré-históricos até as manifestações contemporâneas, ele tem sido utilizado como uma linguagem universal para transmitir mensagens, estimular a reflexão e criar composições visualmente impactantes. Outrossim, pode ser definido como a arte de criar imagens ou padrões através de elementos gráficos. Ele é uma forma de expressão visual que transcende as palavras e busca transmitir mensagens, emoções ou conceitos por meio da linguagem visual.
Ao longo do tempo, ele evoluiu e adaptou-se às diferentes culturas e períodos históricos. Dessa forma, na arte abstracta do Século XX, por exemplo, artistas como Wassily Kandinsky e Piet Mondrian exploraram-no como uma forma de expressão não representativa, enfatizando a geometria e as relações entre formas e cores.
Assim, as composições gráficas podem variar desde formas abstractas e minimalistas até representações mais figurativas, dependendo da intenção do artista ou designer. Por conseguinte, nele, as formas, linhas, cores e texturas são exploradas de maneira criativa, com o objectivo de estabelecer uma conexão com o espectador e transmitir uma mensagem visualmente impactante. Essa é uma forma de comunicação que não se limita a barreiras linguísticas ou culturais, alcançando um público mais amplo.
V. TIPOS DE GRAFISMO E SUA APLICAÇÃO NO DESIGNER
Não vamos debruçar-nos sobre os tipos de grafismo que existem, nomeadamente convergentes, divergentes, paralelas e perpendiculares, mas vamos ater-nos à sua incidência nas artes, tendo em conta que ele se aplica em uma série de actividades, realçando a Arte Contemporânea, Moda e Design de Interiores, Design de Produtos, Arte Urbana e Street Art. Porém, vamos focar-nos no Design Gráfico, instrumento usado pelos 3 criadores do Departamento de Edição e Publicações Oficiais da Direcção de Edição e Publicação para dar à estampa um Grafismo inovador, de fácil leitura para os seus técnicos, mas particularmente para os clientes, «o qual passará a utilizar somente 1 (uma) coluna, devendo os actos ser publicados em texto corrido e a 4 (quatro) cores, dando origem a uma nova página, por cada acto a publicar». Assim sendo, esse profissional desempenha o papel cimeiro no ordenamento estético-formal de elementos textuais e não-textuais que compõem peças gráficas destinadas à reprodução com o objectivo expressamente comunicacional, assim como meio de estruturar e dar forma à comunicação impressa em que, no geral, se trabalha o relacionamento entre imagem e texto.
É caso para se enfatizar o marco da aposta do capital humano e da parceria estratégica da Organização como os principais ingredientes na mudança do paradigma visual do seu core business.
… E a aposta regozijante venceu!!!
Fontes: Diários da República n.º 43/04, I série, e 118/23, II série, relatório do DRON (Diário da República Online) e matérias avulsas da Internet.


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